Lindas, simpáticas e preparadas para sambar

Rainhas e Musas do Carnaval

A convite da Apito de Mestre, três musas do carnaval contam como se preparam para os desfiles, relembram momentos marcantes e declaram seu amor ao samba.

Daniela Orcise

 

Elas são lindas, bem-sucedidas e aclamadas por sua beleza e gingado estonteantes. Arrancam suspiros de homens e conquistam o respeito de outras mulheres.

Para fazer bonito na passarela e em outras ações promovidas pela agremiação, porém, as três convidadas pela Apito de Mestre, são unânimes ao realçar a importância de cuidar do corpo. No universo do Carnaval desde 2006, a personal trainer Gabbi Mahfuz admite que essa preparação começa bem antes.

Gabi Bernadoni

“É bem antes mesmo. Os ensaios começam no segundo semestre do ano anterior, por volta de agosto ou setembro. Mas, durante o ano todo, nós participamos de outros eventos representando o nosso pavilhão. Então, a gente precisa estar sempre apresentável”, decreta a musa, que atualmente desfila pela Águia de Ouro.

Para suportar a maratona durante os desfiles, Gabbi é adepta do treinamento intermitente, que inclui corrida e salto de alta intensidade. A passista precisa intercalar o acompanhamento da escola com o samba rasgado sem perder o fôlego. “Você tem que fazer tudo isso sorrindo. Não pode passar pela avenida bufando e sofrendo”, diverte-se.

Igualmente necessária é a realização de um trabalho de musculação para moldar o corpo da dançarina às preferências do público, facilitando a obtenção de um bumbum bem torneado ou uma perna dura. Nesse sentido, Gabriela alerta que o programa de exercícios deve ser supervisionado por um profissional.

Segundo ela, esse acompanhamento é importante, pois cada pessoa possui necessidades específicas – há quem esteja começando a se preparar, quem tenha mais desenvoltura para sambar ou esteja se recuperando de uma lesão, por exemplo. Respeitar o condicionamento físico, bem como as limitações de cada pessoa é essencial.

Um carro por uma fantasia

Com passagens pela Vai-vai, Pérola Negra e Unidos da Tíjuca, Gabbi está desde 2013 na Águia de Ouro e elege o seu primeiro desfile na atual escola como a lembrança mais marcante. Lisonjeada com o convite para ocupar um cargo de confiança já em sua estreia, ela vendeu o próprio carro para arcar com os custos de confecção de sua fantasia.

Gabi Bernadoni

O reconhecimento ao seu esforço a levou para o outro lado do mundo, literalmente. No ano seguinte, a escola foi convidada para fazer uma apresentação no Japão e a foto de Gabbi foi parar na primeira página de um jornal local.

Embora faça questão de manter algum mistério sobre o seu visual para o próximo carnaval – a palavra-final é sempre do carnavalesco, como ela faz questão de enfatizar – a beldade entrega qual seria o seu desejo. “Já tive a oportunidade de desfilar com pintura corporal feita pelo artista W. Veríssimo por quase dez anos. E gostaria muito de repetir essa experiência”, confessa.

Para finalizar, ela deixa uma mensagem para todas as pessoas que tem vontade de participar do carnaval. “Venha e esteja preparado para nunca mais sair. Depois que você entra e percebe o quanto essa manifestação é libertadora, você não vai mais abandonar. Esteja pronto para ter um compromisso todos os anos no final de fevereiro”, sentencia.

Beleza made in exportação

Quem também não esconde a empolgação é a passista show da Rosas de Ouro, Regina Silva. Assim como Gabbi, ela defende a importância da preparação física. “Antes de entrar para o carnaval, eu já mantinha o hábito de treinar regularmente. Então, sempre estive preparada, mas, quem não tem esse hábito, deve começar com pelo menos seis meses de antecedência”, aconselha.

Regina Silva

Por ser fisiculturista e personal trainer, ela também adota um cuidado especial com a alimentação, naturalmente mais regrada, para poder participar das competições. Mas, para a musa, tão importante quanto um belo corpo, é o equilíbrio psicológico para vivenciar não apenas as boas situações, mas também contornar os imprevistos.

Regina Silva

Das experiências marcantes que vivenciou por conta do Carnaval, ela elege os shows de carnaval que realizou fora do país como os momentos mais especiais. “O samba no pé foi meu passaporte para conhecer vários países, dentre os quais eu destaco África do Sul, Zimbábue e Seychelles”, recorda.

Regina Silva

Descoberta por acaso

A convite da Apito de Mestre, Regina e Gabbi foram fotografadas na Academia Mega Model, mostrando a sua rotina de preparação para a folia. Já a atual rainha do Samba de São Paulo, Daniele Orcisse aceitou participar de um ensaio caracterizada com um figurino lindíssimo na fábrica do Samba.

Daniela Orcise

Confeccionado pelo Atellier SaellieShemith, que está no mercado há cinco anos, o modelo de luxo flerta com o exagero, mas sem deixar de lado a leveza e a elegância. A missão é realizar sonhos, além de realçar a beleza da silhueta feminina.

O apoio do atelier, aliás, foi decisivo para que a Daniele conquistasse a coroa de Rainha do Samba 2018, na cidade de São Paulo. “Paralelamente ao suporte, eles me incentivaram e proporcionaram as condições para que eu me dedicasse a esse objetivo, que, no início era um desafio, mas depois se transformou em uma preciosa conquista”, celebra.

Mas, se a rápida ascensão de Daniele nos permite dizer que ela já consolidou seu nome, tudo começou por acaso, quando ela assistia uma roda de samba. Mesmo sem ter tido experiência anterior, sua beleza chamou a atenção do representante do representante de um bloco, em 2010.

Lá ela permaneceu até 2014, quando um amigo assumiu a bateria da escola de samba Barroca Zona Sul e a convidou para ser rainha de bateria. A ideia inicial era permanecer apenas por um ano no posto, mas foram três, até que ela decidiu sair em busca de novos desafios. Desde então, ela atua como modelo fotográfico e descobriu uma nova paixão: um canal no Youtube, onde abre espaço para tratar de diversos assuntos.

Festa alegre e democrática

A trajetória de Gabbi, Regina e Daniele demonstra que, além da alegria, o carnaval também é uma festa extremamente democrática. Talvez este seja só mais um dos encantos da maior festa popular do planeta. O universo do samba acolhe a todas as pessoas de braços abertos, independentemente de origem.

A esse respeito, Gabbi trata de uma suposta rivalidade entre as pessoas nascidas na comunidade e quem vem de fora. “O ideal é que todos os integrantes de uma escola se unam em prol de um mesmo objetivo. Personalidades convidadas não devem receber privilégios, em detrimento aos integrantes da comunidade, mas por outro lado, merecem respeito, pois geralmente podem agregar ao desfile”, encerra.

 

Créditos:
Texto: Piero Vergílio
Figurinos e Maquiagem: Atellier Saelli e Shemith
Fotos: Celso Belarmino
Locação: Academia Mega Model
Projeto e produção: Apito de Mestre